sexta-feira, 11 de Maio de 2012

"A CEDEAO é uma vergonha"

A CEDEAO E UMA VERGONHA !

A Guiné-Bissau viveu mais uma vez um golpe de estado no passado dia 12 de Abril, na vespera do inicio da Campanha Eleitoral para a segunda volta que seria disputada entre Carlos Gomes Junior o mais votado com 49% de votos e Kumba Yala que ficou na segunda posicao com 23%.

O referido golpe nao apanhou de surpresa o Povo guineense e nem a Comunidade Internacional que estava atenta com o que se passava na Guiné, sobretudo a representaçao das NU na Guiné, atraves do seu representante Joseph Mutaboba que esteve sempre a par do que acontecia.

Naturalmente logo apos ao golpe de estado, surgiu a CEDEAO no dia seguinte(13 de Abril) através de um comunicado onde o seu Presidente Désire Cadré Ouedraogo, condenou vigorosamente a incursao militar em Bissau qualificando-a de um acto irresponsavel que colabora na manutençao da Guiné-Bissau como um ”ESTADO FALHADO”. Ainda no mesmo comunicado, ESSA CEDEAO exigiu que o restabelecimento da ordem constitucional e o prosseguimento do processo eleitoral e adiantou que os autores do golpe deviam ser confrontados com as suas responsabilidades. O dito Comando Militar nao obedecia nem a ESSA CEDEAO nem o resto da Comunidade Internacional que unanimamente condenaram o golpe e exigiram o retorno da ordem constitucional que fara o POVO guineense que para além de ver retirado a sua liberdade de expressao mas também foram impedidas de promover qualquer tipo de manifestaçao e, assinou um acordo de Transiçao de dois anos com o dito Forum de Partidos sem expressao encabeçado por PRS que esta muito furioso para voltar ao Poder a todo custo. Logo apos essa assinatura de acordo entre o Comando Militar e o Forum de Partidos de oposiçao, houve informaçoes de fontes diplomaticas em Bissau que a Nigeria estaria pronta para reconhecer no dia 18 de Abril (apos o dia da assinatura do acordo) o novo governo de transiçao fruto do acordo entre o Comando militar e o Forum de Partidos de Oposicao. Essa atitude da Nigeria poderia ser seguida logo por outros Paises DESSA CEDEAO, contrariando assim a posiçao das Naçoes Unidas e restante Comunidade Internacional. Mas tal nao veio a acontecer, optando deste modo para outras vias de fazer valer os seus objectivos e intensao clara DESSA CEDEAO.

Ora bem, ESSA MESMA CEDEAO mudou num fechar e abrir de olhos a sua primeira posiçao de condenaçao do golpe e na defesa do seu principio de Tolerancia Zero aos golpes, quando no dia 27 de Abril em Abidjan, Costa do Marfim, numa Cimeira extraordinaria num dos pontos do seu comunicado final, instou toas as partes interessadas a se submeterem aos esforços de mediaçao da CEDEAO, com vista as modalidades para uma transiçao consensual através da realizaçao das eleiçoes no prazo de 12 meses. QUE INCOERENCIA DE POSICOES DESSA CEDEAO? Que tinha dito que condenava o golpe, exigia o restabelecimento da ordem constitucional e o prosseguimento do processo eleitoral. Mudou-se de posiçoes estrategicamente porque teme a presença cada vez mais notavel de Angola na Costa Ocidental e viram grande oportunidade de se juntar aos militares e ao Senhor que tinham proposto para ser o Presidente de Transiçao para correram com a Angola na Guiné-Bissau. Por outro lado porque tem Paises que nao querem ver o avanço da nossa Guiné.

Foi por essa razao que ESSA CEDEAO se prontificou logo isoladamente excluindo outros parceiros como a CPLP, o Portugal e a Angola na resoluçao da crise, para assim  fingir mediar mas com seus interesses geoestrategicos bem assentes, colocando assim aos militares e ao Senhor que desejam tanto que fosse o Presidente da Republica mas que infelizmente o Povo nao o quer, por isso nao lhe chamou para a segunda volta das eleiçoes.

No entanto para confirmaçao do jogo estratégico DESSA CEDEAO, se realizou mais outra Cimeira desta vez em Dakar, Senegal, onde sem vergonha, contra seu proprio principio, acabou por legitimar o golpe, acabar com o processo eleitoral que decorria e deixando a soluçao ao Parlamento guineense para escolher Presidente de Transiçao e Presidente da Assembleia. Ai, também acabou por dar um golpe no parlamento. Porque pelomenos até aqui, o Comando Militar sempre disse que o Parlamento nao foi dissolvido.

Sendo assim, o Presidente em exercicio da Assembleia Nacional Popular Sr Serifo Nhamadjo se precipita correndo assim contra o tempo antes que o resto da Comunidade Internacional posicionar contra as acçoes da CEDEAO, convocou os deputados para sessao parlamentar onde escolheriam Presidentes de Transiçao e de Assembleia Nacional Popular, mesmo sabendo que esta indo contra a vontade popular, contra o Partido que lhe retirou confiança politica, contra o prescrito na Constituiçao da Republica, contra a democracia e contra o resto da Comunidade Internacional, fingindo ser uma figura de consenso que nunca a é e nem a sera.

Mas como disse alguém, o resto da Comunidade Internacional nao ira cegamente atras DESSA CEDEAO na resoluçao dessa crise e nem o Povo guineense agora confia NESSA CEDEAO, restando a unica esperanca nas NACOES UNIDAS, CPLP e ANGOLA.

Depois da desfeita que passaram na ultima reuniao do Conselho de Seguranca das Naçoes Unidas onde esteve presente a comissaria da organizacao, agora dizem que o retorno a ordem constitucional e retoma do processo eleitoral que o PAIGC e o resto da Comunidade Internacional quer, poderia gerar guerra civil na Guiné. Que vergonha! Quem faria essa guerra civil? Mas devo lembrar que o Porta-Voz do Forum de Partidos da oposiçao socios do Comando Militar e da CEDEAO também tinha proferido a mesma declaraçao numa conferencia de imprensa realizada em Bissau, onde disse que a insistencia do retorno a legalidade que o PAIGC quiz traria uma guerra civil na Guiné-Bissau.

Ora, assim começam os conflitos na Guiné com essas declaraçoes. O Kumba Yala na vespera do inicio da campanha eleitoral afirmou publicamente que nao haveria eleiçoes e que quem tentasse fazer campanha a responsabilidade seria dele e logo horas depois se deu o golpe. Afinal, parece que sabia do que estava a falar. O Sr Henrique Rosa também tinha dito que a presença da MISSANG poderia trazer conflito para o Pais. Também tudo indica que sabia o que se estaria a passar: Coincidencia ou nao, essa presença militar da MISSANG veio a ser a grande motivaçao para o golpe de estado.  Nota-se claramente que alguém, ou algum Pais ou alguma Organizaçao Internacional estara disponivel em apoiar qualquer situaçao de provocar uma guerra civil na Guiné.

Posto isso, como guineense acho que nao bastarao so acçoes diplomaticas para por fim a essa crise, mas também seria necessaria que essas acçoes sejam acompanhadas com sançoes economicas aos autores do golpe e aos seus aliados, seguindo o exemplo da Uniao Europeia. Por isso exorto que as Naçoes Unidas adoptem o mais rapido possivel sançoes economicas contra esses golpistas militares e politicos. Também que envolvam direta e de forma activa na resoluçao dessa crise sem que no entanto disista de enviar uma força multinacional de interposiçao para salvar o Povo guineense, salvar o Pais, salvar a democracia, ajudar controlar o narcotrafico e criaçao de condiçoes para que haja justiça.

Força!

O guineense nao desiste!

Viva o Povo guineense!
Aliu Baldé